Em reunião com a oposição, Dr. Cabeto diz que Governo do Estado não tem projeto para a Saúde

Ex-secretário de Saúde na gestão Camilo Santana, o médico Dr. Cabeto participou do “Café da Manhã da Oposição”,com a bancada oposicionista na Assembleia Legislativa, na manhã desta quarta-feira (28). O profissional de saúde fez duras críticas ao Governo do Estado não somente na área da Saúde, mas destacou pontos negativos da gestão Elmano de Freitas também na Segurança Pública e Educação.

Segundo ele, desde que deixou a Secretaria Estadual de Saúde (Sesa), não tem acompanhado os meandros internos da pasta para saber as motivações que levam à crise na área, mas em suas palavras, o que deixa claro é que o Governo do Estado “está desnorteado”. “Não deixa claro para a sociedade qual é o projeto, como vai medir o projeto para que as pessoas percebam que tem uma possibilidade de melhora. Há um descrédito em relação à metodologia política”, pontuou.

De acordo com o gestor, a gestão da saúde não depende tão somente do secretário da área, mas também do governador do Estado, secretaria da Casa Civil, do Planejamento, e de finanças para ter um bom desenvolvimento. “Vai muito mal quando não deixa claro qual é o projeto. Não tem projeto. O Governo tem surtos. Parece coisa de Governo claudicante, na forma médica de dizer. Mostra total ineficiência do planejamento”.

Para Cabeto, a situação da Saúde é preocupante no Ceará, mas só não tem chamado muito atenção da opinião pública por conta da Segurança Pública, que segundo ele, se encontra tão mais grave que tem atraído para si todos os holofotes. O médico também criticou o modelo de Educação do Estado, que conforme disse, não prepara os estudantes para o mercado de trabalho.

Ainda de acordo com ele, é preciso que a sociedade se imponha e que se pare de estigmatizar as pessoas entre esquerda e direita, que em sua visão, é uma estratégia para deixar de compreender o que um dos lados tem de eficiente. “Quem está no Governo tem que responder, e cabe à oposição criticar. A gente precisa que o Legislativo funcione bem,que o Executivo tenha eficiência e o Ministério Público fiscalize.

Sobre ter participado do Governo Camilo Santana, Cabeto disse que enfrentou negativas de pessoas próximas, mas decidiu aceitar o convite ao invés “de ficar assistindo e criticando”. “Não tinha identidade com o grupo lá, não tinha amizade com ninguém. Mas acreditava em construir um Ceará melhor. É obrigação da nossa geração destinar esperança para a próxima geração. Temos uma série de jovens na universidade, mas sem esperanças”, lamentou.

Deprimido

Dr. Cabeto afirmou que um lado de ter participado da gestão Camilo o deixou deprimido, demorando, inclusive, para se recuperar. Durante reunião com a bancada de oposição, ele citou o caso do fim da Funsaúde, que conforme explicou, teria demorado para ser criada, mas “foi destruída em 10 minutos”, em votação na Assembleia Legislativa. “Foi ver a tristeza de fazer uma coisa, que era de um grupo de pessoas, e vem um Governo, que não enxerga isso, e destruir. Fica a sensação de desesperança. As vezes você não percebe que está destruindo a última via de esperança”.

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