Sudeste asiático recebe maioria de brasileiros para trabalho forçado


O Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) divulgou, nesta sexta-feira (4), o Relatório Nacional sobre Tráfico de Pessoas, com dados do número de casos envolvendo o recrutamento de pessoas para trabalhar em países do sudeste asiático.

“A maioria dos casos [de brasileiros submetidos a condições semelhantes à escravidão] identificados [no exterior, em 2024] envolve o trabalho em plataformas digitais de aposta, em países asiáticos”, comentou a consultora do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crimes (Unodc) Natália Maciel, durante evento de apresentação do relatório.

Elaborado a partir do cruzamento de informações de vários órgãos públicos, incluindo os consulados e embaixadas brasileiras, o relatório aponta que, no ano passado, a maioria dos 63 casos de tráfico internacional para fins de trabalho escravo envolvendo vítimas brasileiras foi registrada em três países do sudeste asiático: Filipinas (32%); Laos (17%) e Camboja (11%).

“[Com isto] a gente corrobora a maior incidência desses países do sudeste asiático, sem deixar de lado [a participação de] países que já têm antecedentes”, comentou Natália, referindo-se aos exemplos de Bélgica e Itália, onde foram identificados, respectivamente, 6% e 5% dos 63 casos verificados pela Coordenação-Geral de Enfrentamento ao Tráfico de Pessoas e Contrabando de Migrantes, do MJSP.

“E há também a Nigéria, onde, no ano passado, foram registrados [8% dos] casos e onde o tipo de exploração é muito similar ao que acontece no sudeste asiático”, acrescentou a consultora, destacando que os registros abarcam apenas as vítimas que conseguiram acessar os órgãos públicos, pois conforme destacado no relatório, “a subnotificação encobre parte significativa dessa grave violação de direitos humanos”.

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