
Mesmo com divergências com os bolsonaristas, o ex-prefeito Sarto, ainda vice-presidente do PDT de Fortaleza, confirmou apoio ao grupo oposicionista contra a gestão do governador Elmano de Freitas (PT). Ele esteve, na manhã desta quarta-feira (09), no Café da Manhã da Oposição, onde teceu críticas aos governos do Partido dos Trabalhadores e sinalizou a construção de um bloco que possa fazer frente ao que chamou de “hegemonia governista”.
A presença de Sarto no gabinete do líder do PDT, Cláudio Pinho, foi marcada pela ausência de deputados bolsonaristas na reunião. Nenhum dos membros do Partido Liberal compareceu ao encontro com o ex-prefeito de Fortaleza. Alguns deles confirmaram ausência por estarem de licença parlamentar e consulta médica.
Sarto não confirmou a que cargo tentará disputar o pleito do próximo ano, mas confirmou que a tendência é deixar os quadros do PDT, caso o partido continue atuando como “puxadinho” do Partido dos Trabalhadores. O pedetista disse que ainda há tempo para definir seu rumo político, mas que está no radar a possibilidade de deixar a agremiação da qual é vice-presidente municipal.
“A hegemonia atrapalha, porque o detentor da hegemonia fica sem ouvir críticas. Existe uma ditadura no pensamento, o alinhamento em nível federal, estadual e municipal. Essa hegemonia é muito prejudicial. Vamos construir um projeto que se oponha ao projeto hegemônico que está no Ceará”, disse.
Sarto afirmou que o grupo político de oposição tem se reunido sistematicamente, com figuras como o ex-governador Ciro Gomes (PDT), o ex-senador Tasso Jereissati (PSDB), o ex-deputado federal Capitão Wagner (União) e os bolsonaristas Carmelo Neto (PL) e André Fernandes (PL). Na avaliação dele, a ideia é construir um consenso programático que se estabeleça contra aquilo que ele chama de “hegemonía”.
Questionado sobre estar ao lado de adversários até pouco tempo, o ex-prefeito justificou sua decisão afirmando que a situação fez com que todos colocassem as divergências pessoais de lado. “Se eu ficar olhando no retrovisor, vou esquecer do Ceará, e o Estado não suporta mais essa hegemonia. Veja a dívida do Estado, o que está acontecendo no Brasil todo. A gente precisa construir um consenso”.
Sobre os bolsonarista, Sarto afirmou manter o mesmo pensamento que teve, mantendo a divergência com o grupo alinhado com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). No entanto, destaca que as convergências são mais imperativas. “Queremos colocar um projeto de Governo que devolva ao povo o comando da economia, contra a criminalidade. O Ceará está no centro da discussão nacional de envolvimento de políticos com facções criminosas. Precisamos salvar o Caerá deste grupo que está acabando o Estado”.
Em diálogo com a oposição, o ex-prefeito fez duras críticas à gestão de Evandro Leitão, do PT. As considerações dele recaíram, principalmente, sobre temas envolvendo a crise na saúde, em especial no IJF, e questões envolvendo a educação básica. Sarto também afirmou que o Governo Municipal atual tem descontinuado políticas de sua administração, como o Fortaleza Bilíngue e o Núcleo de Atenção à Criança e Adolescente com Transtorno do Espectro Autista (Nutea).
Sobre a disputa ao Governo do Estado, Sarto chegou a citar os nomes de Ciro Gomes e Roberto Cláudio (PDT), mas evitou citar aquele de sua preferência, afirmando apenas que o nome será apresentado no tempo devido “em conjunto pelas forças que são contraditórias, mas convergem para combater uma hegemonia”. Segundo ele, quem for escolhido terá o apoio de todos do grupo.
Bolsonaro
Ainda de acordo com ele, o ex-presidente Jair Bolsonaro está inelegível e seria necessário à oposição apresentar um nome que reúna as condições necessárias para a disputa. “Em se consolidando esse status de inelegibilidade do ex-presidente, a oposição vai dialogar uma candidatura que tenha chances reais de mudar a trajetória do país”.
Ele também fez defesa da ex-prefeita Luizianne Lins (PT), e criticou as mudanças ocorridas no Partido dos Trabalhadores nos últimos tempos. “O PT de hoje não é mais o PT dos anos 1980. Temos ex-governadores do PT que indicaram suas esposas para tribunais de contas. Temos dirigentes que aparelham equipamentos públicos por onde passam. E tem uma corrente dentro do PT que diverge dessa postura fisiológica, clientelista, que procura aparelhar o partido. A Luizianne permanece do mesmo jeito, com coerência ideológica, defendendo o partido que ela foi fundadora. O partido deveria ter uma consideração que não tem hoje com ela”.



