
Durante sessão ordinária na Assembleia Legislativa, o deputado Sargento Reginauro (União) acusou PT e PSOL de terem votado contra legislação que endurece as penas contra o crime de estupro na Câmara dos Deputados. As acusações feitas pelo opositor geraram reações por parte de parlamentares dessas siglas.
Segundo ele, todos os membros da sigla socialista foram contrários à medida, enquanto que dos integrantes do PT, apenas quatro se posicionaram favoráveis ao endurecimento de penas para crimes hediondos. “Não é a primeira votação em que há uma proposta de endurecimento de pena e a esquerda vota contra”.
Em resposta, o deputado Guilherme Sampaio (PT) cobrou “mais respeito com a verdade nesta tribuna”. Segundo ele, o Partido dos Trabalhadores tem uma agenda contra aqueles que cometem crimes contra mulheres no País. “Não admito ouvir calado e peço que o colega retire a frase que proferiu. Ela fere a verdade, é violenta contra uma agremiação partidária que elegeu cinco vezes presidentes da República. Quem é violento com mulher é bolsonarista, porque Bolsonaro responde na Justiça a isso”.
Reginauro voltou à tribuna e disse que o Governo do Estado não sabe lidar com o problema da criminalidade. Segundo ele, a gestão da segurança pública é “uma tragédia”. “Seis estupros por dia no Ceará, tá pouco para que o partido oriente sua bancada a ser contra o endurecimento de penas? Vá questionar o voto dos seus pares. Só o que me faltava. Enquanto eu estiver voz e mandato, pode doer, mas vou bater”, disparou.
O deputado Acrísio Sena (PT) também se posicionou sobre o tema e destacou que o PT sempre esteve ao lado dos direitos das mulheres. “Não aceitamos que ninguém venha aqui falar do PT. Ainda mais, parlamentares ligados a partidos que só querem instalar o caos e usar a tribuna para criar o pânico”, afirmou.
Felipe Mota (União) fez um apelo por mais equilíbrio e respeito nos debates da Assembleia Legislativa, criticando discursos agressivos e ataques pessoais entre parlamentares. O parlamentar disse ser contra atitudes de petistas, que segundo ele são “prepotentes”, apontando que isso tem deixado o partido isolado no Congresso Nacional. “Estamos vivendo um momento em que o país precisa de apaziguamento, e vejo colegas usando a tribuna para discursos ofegantes e acusatórios. Precisamos unir forças para melhorar a segurança, a educação e a saúde. Divergências devem ser resolvidas com respeito, e não com ataques públicos”.
Renato Roseno (PSOL), por sua vez, afirmou que as afirmações feitas por Sargento Reginauro estavam repletas de desinformações. “Falta técnica no debate, por isso sobra adjetivos. Faltou informação ao deputado que veio fazer a crítica sobre outra votação”, disse. “A votação que aconteceu na Câmara foi uma alteração genérica, de puro populismo, na questão da progressão de regimes hediondos. O objetivo era impedir a progressão a partir do perfil da vítima e acabou estendendo por demais. Lamentar que a desinformação tenha vindo acompanhada de tamanha desinformação”.
Solução
O deputado Guilherme Bismarck (PSB) cobrou que o tema da segurança pública seja tratado no Parlamento de forma ética, natural e com diálogo. Para ele, o assunto tem sido tratado “como se estivessem em um palanque eleitoral”. “Precisamos dialogar com a sociedade, unindo todas as forças, seja de direita ou esquerda, para achar uma solução para a segurança pública. Tratam sempre com o intuito de deixar a população cada vez mais tensa e nervosa, em um palanque eleitoral que não tem fim”, avaliou.
Cláudio Pinho (PDT) também fez suas considerações sobre o assunto, afirmando que alguns gestores querem passar a responsabilidade da Segurança Pùblica para outros. “Daqui a alguns dias a responsabilidade será para os municípios. Querem criar as guardas municipais para resolver o problema da insegurança. Com leis frouxas, fica quase impossível de se debelar a questão da violência. Querer dizer que está tudo muito bem, é querer tapar o sol com a peneira”.



