
O julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro e de parte da cúpula de seu Governo pode servir de exemplo para o mundo. Essa é a avaliação de alguns deputados da Assembleia Legislativa, que destacam o pleno funcionamento das instituições constituídas e a garantia da ampla defesa dos réus.
O deputado De Assis Diniz (PT), em seu pronunciamento, destacou ser preciso respeitar o Estado Democrático de Direito e o resultado das eleições, o que não teria sido feito por Jair Bolsonaro no processo eleitoral de 2022. “Não se deve brincar com a democracia. É na democracia que aprendemos que, quem perde chora, quem ganha celebra. É na democracia que somos derrotados e vitoriosos na política. É nela que nos posicionamos. O respeito às instituições jamais podemos perder, jamais”.
De Assis contestou a defesa do ex-presidente nos meios de comunicação de que o “processo nasceu viciado e sem materialidade”. Para ele, a acusação tem um processo estabelecido pelas instituições como a Procuradoria-Geral da República (PGR).
“As instituições estão funcionando, a PGR está fazendo o seu papel, o Bolsonaro tem direito à ampla defesa e ao contraditório. Imagina: convocam o Exército, a Marinha e a Aeronáutica, colocam um papel com uma Garantia da Lei e da Ordem (GLO) estabelecida, isso não é materialidade?”, questionou.
Pata ele, a materialidade do crime se deu nos atos do 8 de janeiro. “Graças a Deus, a GLO não foi decretada, porque, senão, iam prender o ministro Alexandre de Moraes, o Lula e o Alckmin. Não era para fazer balbúrdia não, era para matar e prender para colocar o País nas trevas novamente”.
O deputado Missias Dias (PT) ressaltou que fica envergonhado por ver pessoas defendendo o “indefensável”. Ele se referia ao discurso anterior do deputado David Vasconcelos (PL), que tinha apontado a importância da gestão Bolsonaro durante a pandemia de Covid 19.
O deputado Léo Suricate (Psol) também se pronunciou sobre o tema, afirmando que houve resistência do Governo Federal, durante a gestão do ex-presidente Jair Messias Bolsonaro, na compra e aplicação das vacinas contra Covid-19 durante a pandemia. Ele defendeu o trabalho de governadores, como aqueles do Consórcio Nordeste.
“A memória dessas pessoas é muito fraca. Ninguém lembra que Bolsonaro falou para um dos maiores parceiros comerciais do Brasil, a China, que não tomaria uma vacina chinesa para não virar jacaré? Foram afirmativas polêmicas e que geraram muitas desinformações no meio da crise sanitária”, apontou.
Para ele, é necessário que a população não se esqueça dos crimes cometidos durante a pandemia. “Houve a tentativa de golpe de Estado no Brasil entre 2022 e 2023. Não podemos esquecer isso, não podemos defender a volta da ditadura militar”, disse.



