
O tarifaço do presidente dos Estados Unidos Donald Trump em 50% contra produtos exportados do Brasil já mostra suas consequências no setor produtivo cearense. Em pronunciamento na Assembleia Legislativa, na manhã desta quarta-feira (10), o deputado Felipe Mota (União) lamentou a situação e destacou a nova data estipulada pela Secretaria de Desenvolvimento Agrário (SDA) para que empresas prejudicadas possam aderir a edital do Governo do Estado.
Mota demonstrou preocupação com os impactos do tarifaço do governo Donald Trump na cadeia produtiva do Ceará. Segundo ele, o preço do litro do coco caiu mais de R$ 1 no Ceará em razão do tarifaço imposto pelo governo norte-americano.
O valor do litro do coco repassado aos produtores, que antes era de R$ 1,80, passou para R$ 0,60 nas últimas semanas. “Infelizmente, é um impacto que eu já imaginava. Pelo valor anterior que era repassado, compensava para o pequeno produtor retirar o coco do pé e entregar para a indústria. Com esse valor atual, não compensa mais, o que vai gerar uma pobreza cada vez maior no campo, e estou falando apenas desse segmento”.
Outros setores, como o calçadista e o da cadeia do mel também vão ser seriamente afetados pelo tarifaço, conforme destacou Felipe Mota. Conforme informou, na cidade de Franca, em São Paulo, que é um polo calçadista, foi anunciado que uma empresa local faria demissões. “Isso pode ter um efeito dominó, chegando ao nosso Estado, pois quando cai um, caem todos”, lamentou.
Para ele, é necessário ter um olhar muito atencioso com os efeitos do tarifaço no País. “Precisamos nos unir e articular forças para socorrer nossas cadeias produtivas, porque, ao final de tudo isso, ninguém vai sair ganhando. Aqui no Ceará, nós vamos perder o nosso desenvolvimento econômico, vamos perder arrecadação e vamos investir bem menos em políticas públicas”, ressaltou.
Ele lembrou que a SDA deu um prazo de mais 15 dias para que empresas afetadas se registrem em edital do Governo do Estado para aderirem a programa do Poder Executivo Estadual.



