
O senador Eduardo Girão (Novo-CE) tem intensificado críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF) em relação ao caso do Banco Master, instituição financeira liquidada pelo Banco Central em novembro de 2025 sob suspeitas de uma das maiores fraudes do sistema financeiro brasileiro, com desvios estimados em bilhões de reais, incluindo esquemas semelhantes a pirâmides financeiras e uso de fundos para ocultar prejuízos. O parlamentar reiterou a cobrança por apuração imediata pela Procuradoria-Geral da República (PGR) de supostas irregularidades e conflitos de interesse envolvendo o ministro do STF Dias Toffoli, relator do inquérito que investiga o caso.
Segundo ele, Toffoli teria atuado de forma a blindar investigações, apesar de ligações familiares com um resort no Paraná (Tayayá Resort, em Ribeirão Claro). Reportagens recentes revelaram que irmãos do ministro foram sócios no empreendimento, que posteriormente envolveu fundos e figuras ligadas ao controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro — incluindo o cunhado dele, Fabiano Zettel.
Girão apontou que funcionários do resort tratam Toffoli como “dono”, com suposta mansão exclusiva e até barco à disposição, o que configuraria grave conflito de interesse. Ele defendeu que tais fatos tornam “urgente” o afastamento do ministro da relatoria e até um processo de impeachment.
O senador informou ter protocolado, há cerca de duas semanas, um pedido de impeachment contra Toffoli, assinado também pelos senadores Magno Malta (PL-ES) e Damares Alves (Republicanos-DF). O pedido alega crimes de responsabilidade, abuso de poder e desvio de finalidade na condução do caso, incluindo decisões como a concentração de provas no STF, limitação de ações da Polícia Federal e atos processuais questionados.
O senador criticou ainda o procurador-geral da República, Paulo Gonet, por supostamente ignorar denúncias graves envolvendo o STF. Girão mencionou ter acionado a PGR com uma “notícia-crime” contra o ministro Alexandre de Moraes.
De acordo com ele, Moraes teria procurado o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, em várias ocasiões para favorecer o Banco Master — instituição que, “coincidentemente”, contratou o escritório de advocacia da esposa de Moraes, Viviane Barci de Moraes, por valores que chegam a R$ 129 milhões em contrato de três anos.
O senador cearense classificou as situações como “indecência” e “escândalos que horrorizam os brasileiros”, afirmando que há perda de pudor por parte de líderes institucionais e exigindo fim ao “segredismo e inércia”. Ele reiterou que não desistirá das cobranhas por transparência e responsabilização.
Imparcialidade
O caso Banco Master segue gerando repercussão, com a PGR tendo arquivado ao menos um pedido de afastamento de Toffoli da relatoria, enquanto novas revelações sobre ligações com o resort e contratos advocatícios mantêm o debate sobre imparcialidade no Judiciário.



