
Afeto é um sentimento nobre e grandioso, daqueles que sentimos por pessoas, coisas ou lugares mais que especiais. É a afeição que envolve emoção e apego.
E é essa devoção a pessoas queridas e a um lugar especial, Fortaleza, Capital do Ceará, que a escritora Eliana Sá demonstra com sensibilidade ímpar em “Meus Afetos: Memórias de uma menina cearense “, livro de memórias em que a autora revisita lugares e pessoas que hoje estão ali em boas recordações.
Nele, Eliana nos conta parte de sua infância e adolescência, entre os anos 1950 e 1960, em Fortaleza, com a descoberta de uma vida entre os colégios religiosos, o Cine São Luiz, no Centro da cidade, e a relação afetuosa com o irmão Sérgio Sá, músico e compositor, que é personagem crucial em suas memórias.
O leitor pode esperar uma leitura agradável, com reflexões que podem provocar as suas próprias. “Me preocupo muito com o ritmo da narração, com pontuação do texto, para que o leitor me siga com conforto, não perca o pé da história, não largue o livro antes do final. Este livro é um correr de histórias, mais ou menos alinhavadas cronologicamente, falando de minha infância e pré-adolescência em Fortaleza, nos anos 50 e 60, quando vivi aí, dentro dos limites oferecidos socialmente e culturalmente”, explica a autora ao ExpedienteBR.
“Para os mais velhos, memórias; para os mais jovens, pontos de reflexão, para ambos, momentos de prazer na leitura” – Eliana Sá
De acordo com ela, muitas autobiografias vêm sendo publicadas no Brasil, autores nacionais e internacionais. “Li muitas, como a obra de Annie Ernaux, Éduard Louis, os brasileiros Tiago Ferro e Julián Fuks. Esses autores me inspiraram. Eu tinha essa ideia de contar a história da minha relação com meu irmão cego. E sobre minha infância vivida em Fortaleza, nos moldes rígidos da época.
Fortaleza completa 300 anos em 2026, e muito de suas histórias tem relação com a cidade”.
Segundo ela, a Fortaleza que se encontra em suas memórias é “uma Fortaleza provinciana, com uma sociedade fechada, com a geração imediatamente anterior tendo vivido a transição do meio rural para o meio urbano. A televisão estava chegando na cidade e a informação começava a circular”.
“Essa cidade que deixei em 1967, não existe mais. Apesar de ainda estarem vigentes relações sociais de tipo tradicional. E mesmo com as grandes transformações, alguns dos símbolos físicos ainda estão aí de pé: os colégios religiosos, o Cine São Luiz, o Náutico”, disse.
A autora também tem uma dica para quem pretende se aventurar no mundo encantado da literatura. “Escreva, escreva sempre. Publique na internet, em aplicativos, persiga seu desejo. Há bolsas para publicação em alguns estados, premiações que auxiliam o autor com pouco dinheiro. Exponha seus textos, aprenda, ouça professores e colegas. Frequente feiras de livros, aproxime-se de colegas que também gostam de literatura, participe de clubes de livros. Sem desanimar”.
Sobre a autora:
Eliana Maria Sá de Albuquerque Araujo (Fortaleza, CE, 1951) é jornalista. editora e autora. Formada em Editoração e Jornalismo na ECA/USP. Trabalhou nas editoras Abril e Globo, criou uma revista para pré-adolescentes, a CRICS, abriu sua própria editora, a Sá. Publicou vários livros infantis. Deu aulas na Anhembi/Morumbi e na Universidade do Livro/UNESP. Com vários Jabutis na carreira, recebeu bolsas de incentivo da Feira de Frankfurt (duas vezes) , do Salão do Livro de Paris e da Istanbul Publishing Fellowship, na Turquia.
“Meus Afetos” está disponível na Amazon e outras plataformas de literatura


