Ceará celebra nesta quarta a Data Magna em reconhecimento ao pioneirismo na abolição da escravidão

O Ceará celebra, nesta quarta-feira (25/03), a Data Magna do Estado, marco histórico que rememora a abolição da escravidão em território cearense, oficializada em 25 de março de 1884, quatro anos antes da promulgação da Lei Áurea, que extinguiu legalmente a escravidão no Brasil, em 1888.

Instituída como feriado estadual por meio da emenda constitucional n.º 73, de 2011, e sancionada pelo então governador Cid Gomes (PSB), a data simboliza o protagonismo do Ceará no processo abolicionista brasileiro. A iniciativa de transformar o 25 de março em feriado partiu do então deputado Lula Morais (PCdoB), por meio do projeto de lei n.º 53/2007, apresentado na Assembleia Legislativa do Estado do Ceará (Alece).

Historicamente, o movimento abolicionista no Ceará foi marcado pela articulação entre diferentes segmentos da sociedade. De acordo com o historiador, educador e pesquisador Mateus Django, que atua na mediação cultural do Memorial da Assembleia Legislativa do Estado do Ceará Deputado Pontes Neto (Malce), esse processo não pode ser explicado por único fator.

“Temos uma série de elementos que criam essa efervescência da luta abolicionista no Ceará, envolvendo fatores sociais, econômicos e políticos. É um contexto plural, que vai desde a base popular até setores das elites que também se posicionaram para formar alianças contra a escravidão”, explica.

Entre os principais marcos está a Greve dos Jangadeiros, em 1881, quando trabalhadores do porto de Fortaleza se recusaram a transportar pessoas escravizadas para outras províncias. O movimento teve como uma de suas principais lideranças Francisco José do Nascimento, conhecido como Dragão do Mar, e contou também com a atuação de nomes como José Napoleão e Tia Simoa.

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