
Enquanto a sociedade israelense sai mais convencida de que a agressividade militar é a resposta para lidar com as questões do Oriente Médio, a sociedade iraniana sai desse conflito em choque e traumatizada.
Essa é a avaliação do antropólogo Paulo Hilu, coordenador do Núcleo de Estudos do Oriente Médio da Universidade Federal Fluminense (UFF).
“A sociedade iraniana claramente está em choque. Tanto as pessoas que apoiam o regime, quanto as pessoas que são contrárias ao regime, estão em choque. Ataques diretos ao Irã com mortes, destruição na capital e por todo o país. Para a sociedade iraniana, foi um evento muito traumático”, comentou.
Enquanto a sociedade israelense sai mais convencida de que a agressividade militar é a resposta para lidar com as questões do Oriente Médio, a sociedade iraniana sai desse conflito em choque e traumatizada.
Essa é a avaliação do antropólogo Paulo Hilu, coordenador do Núcleo de Estudos do Oriente Médio da Universidade Federal Fluminense (UFF).
“A sociedade iraniana claramente está em choque. Tanto as pessoas que apoiam o regime, quanto as pessoas que são contrárias ao regime, estão em choque. Ataques diretos ao Irã com mortes, destruição na capital e por todo o país. Para a sociedade iraniana, foi um evento muito traumático”, comentou.
O professor da UFF destacou que mesmo a oposição ao regime dos aiatolás rejeitou a mudança de regime pela via da guerra.
“A oposição ao regime deixou claro que esse não é o caminho. Eles não querem esse tipo de saída, não querem o caos absoluto, o colapso da ordem. Eles querem que as mudanças sejam feitas de acordo com o processo político interno”, acrescentou Hilu.
O especialista, por outro lado, acredita que o governo sai enfraquecido e a tendência é que se torne ainda mais autoritário.
“A República islâmica é impopular, existe uma enorme oposição e enorme pressão para mudanças e reformas. Ao mesmo tempo, a República Islâmica tem sua base. Não é uma situação de recusa total. Existem vários setores da sociedade iraniana que apoiam o regime político”, ponderou.
Paulo Hilu explicou que o regime político do Irã é resultado de acordos costurados por todos os grupos que participaram da Revolução Islâmica de 1979. Ele lembra que o poder, no Irã, está dividido entre várias instâncias, com o presidente eleito por voto direto governando a máquina pública, mas o líder Supremo, o aiatolá Ali Khamenei, controlando as Forças Armadas.
“É uma sociedade com efervescência e mobilização política muito grande, tanto pelo lado da oposição, quanto aqueles que apoiam o regime. E é uma sociedade muito sofisticada, complexa e moderna”, avalia.
Israel
Por outro lado, o especialista em Oriente Médio afirma que a sociedade israelense deu uma resposta oposta à guerra contra o Irã, saindo do conflito ainda mais convencida de que o expansionismo militar é a saída para os problemas regionais.
“No caso de Israel, o impacto é ao contrário. A sociedade israelense sai fortalecida nas suas convicções mais agressivas. Saem na certeza de que o expansionismo e a agressividade militar são as melhores maneiras de lidar com as questões da região. É uma sociedade que está numa espiral de radicalização e de violência”, avalia.
O professor Paulo Hilu lembra que a maioria da sociedade israelense, segundo pesquisas de opinião divulgadas pela mídia local, apoia a limpeza étnica de Gaza. “É uma sociedade que está apoiando o genocídio”, informou.
Fonte: Agência Brasil



