Governistas ironizam revés na aliança entre Ciro Gomes e bolsonaristas no Ceará

Aparentemente, a aliança construída em torno de bolsonaristas, ciristas e waguinistas está ameaçada. Isso porque o futuro presidente do Partido Liberal (PL) no Ceará, o deputado federal André Fernandes, afirmou que a legenda terá candidatura própria ao Governo do Estado, descartando a possibilidade de apoio a nomes aventados até então, como de Roberto Cláudio (sem partido) e Ciro Gomes (PDT).

O motivo da mudança de atitude de Fernandes teria relação com o posicionamento recente de Ciro Gomes sobre a taxação de Donald Trump contra importações oriundas do Brasil. Em suas falas, o líder pedetista igualou as intenções do presidente Lula com a da família Bolsonaro, que segundo ele só estão pensando nas eleições do próximo ano.

Ele também disse que os bolsonaristas tinham cometido uma “tremenda burrice” no caso, o que gerou desconforto na aliança que estava sendo costurada desde o mês de maio. André Fernandes afirmou que o nome ao Governo do Estado deve sair do PL, o que pegou a bancada oposicionista de surpresa.

Desde maio, bolsonaristas e ciristas estavam se aproximando politicamente, apesar das diferenças ideológicas. Ciro Gomes chegou, inclusive, declarar apoio ao nome do deputado Alcides Fernandes, pai de André Fernandes, para o Senado da República.

Do lado governista, as rusgas recentes na oposição também surpreenderam, mas de forma positiva. Deputados e lideranças destacaram que a aliança oposicionista foi construída sem o uso de alicerces fortes, o que fez com que, em poucos meses, mudasse totalmente de rumo.

“Fogo no parquinho da política cearense”, ironizou o secretário-chefe da Casa Civil, Chagas Vieira. Alvo de críticas dos opositores no Ceará, ele afirmou que a aliança da oposição é movida “pela inveja, ódio e sentimento de vingança”. “Nosso projeto é trabalhar para o Ceará não parar de avançar, mesmo com todos os desafios. Já o deles, qual o projeto mesmo?”, questionou.

“Quer dizer que os neobolsonaristas Ciro, Roberto Cláudio e Sarto já levaram um ‘pé na bunda’ da extrema-direita raiz no Estado?”, questionou a deputada Larissa Gaspar (PT). Segundo ela, durou pouco o sonho de Ciro Gomes de ter apoio do PL para disputar o Governo do Estado. “É isso que dá ser oportunista, se aproximaram da extrema-direita por conveniência eleitoral e agora estão sendo descartados. Que fase hein Ciro? É derrota atrás de derrota”, disparou.

De Assis Diniz foi no mesmo rumo, afirmando que durou pouco a tentativa de união da oposição com bolsonaristas e novos aliados no Estado. Segundo ele, “quem tomou café da manhã acabou queimando a língua”, em alusão ao projeto Café da Oposição. “Bastou uma fala do sabe-tudo de sempre. Grande dia. Bolsonaristas não se criam nem no Caerá nem no Brasil”, disse.

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