
Em seu pronunciamento na tribuna da Assembleia Legislativa, o deputado Heitor Férrer (União) acusou o Governo do Estado a negar direitos básicos à população cearense na saúde pública. Segundo ele, dessa forma a gestão comete violência contra os cidadãos cearenses. O líder do Governo, Guilherme Sampaio (PT), contestou as afirmações do opositor.
Segundo Férrer, a violência não se restringe apenas à área da Segurança Pública, mas também a outros setores da sociedade. “O Ceará é extremamente violento na assistência médica quando deixa 60 mil pessoas esperando por uma cirurgia. Ou quando deixa 74 mil pessoas esperando atendimento em ortopedia, oftalmologia, ginecologia, cardiologia, oncologia. Um estado violento, que marginaliza pessoas que estão em busca da sua saúde. Isso por si já é um estado de violência”, lamentou.
Ele também pontuou que mais de 1,7 milhão de pessoas seguem sem moradia digna no Ceará, sendo 75% sem esgotamento sanitário em suas casas. “Isso não é um produto deste Governo, mas vem crescendo ao longo dos últimos anos, sem políticas eficientes. E as pessoas vão se marginalizando mais ainda”.
“Se um avião cai no mundo com 264 pessoas, é manchete para três meses. Morrer essa quantidade de pessoas por mês em um avião é uma tragédia, mas no número de assassinato parece não ser. Isso se repete há muitos anos e nada muda”, comparou o deputado ao lembrar o número mensal de assassinatos no Estado.
Guilherme Sampaio (PT) contestou os números apresentados por Heitor Férrer, destacando que no dia 1º de janeiro de 2024, havia 56 mil pessoas esperando a realização de cirurgias eletivas, e que a Secretaria da Saúde realizou 154 mil procedimentos cirúrgicos.
O deputado lembrou que o projeto político em curso no Estado iniciou com a regionalização da assistência hospitalar à população do interior. Segundo ele, os investimentos têm como objetivo evitar o sofrimento da população cearense em busca de atendimento de saúde.
“Este ano, em 2025, nós tínhamos 61 mil pessoas esperando cirurgias no início do ano e tivemos até agora 121 mil cirurgias realizadas. Eu me lembro que só havia hospital de alta complexidade em Fortaleza e a população do interior tinha que vir às pressas para o Instituto Doutor José Frota (IJF) e ao Hospital Geral de Fortaleza (HGF) para buscar atendimento”, salientou.
“Foram inaugurados vários hospitais no interior. Eu faço um olhar com a lente correta e justa do que olhar com a lente eleitoral em não reconhecer o esforço dos parlamentares que aprovaram a construção de quatro unidades regionais, a ampliação de mais de 1.200 vagas de leitos hospitalares e fora que ainda não contabilizei com a do Hospital da Universidade do Federal do Cariri, onde também vai ter tratamento de câncer. É uma mudança radical da política de saúde”, pontuou o petista.



